O dia acabava de nascer e já fazia muito barulho. O silêncio que eu ainda guardava do meu sono não combinava com os estrondos da cidade. As pessoas não se olhavam, pisavam no chão com raiva, caminhavam para um lugar ainda mais barulhento e não sabiam como mudar os passos. Mais ruídos, buzinas, alertas. Todos pareciam fugir do mesmo barulho. Na fuga as pessoas não se olham, só existe desespero, muito medo porque ninguém sabe o que vem depois com o silêncio. Meus ouvidos já marcavam oito horas da manhã, mas eu ainda era todo sinestesia de sonhos. Queria compor meus silêncios com uma poesia, mas o meu olhar já fazia composições com os sons dessa paisagem. Só consegui pensar no Manoel de Barros e como poderia inventar a memória desse momento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário