Domingo, Dezembro 25, 2011

O sono das palavras

As palavras descansam em sono profundo
Nas entrelinhas de uma folha sem pauta
O descanso das palavras é silenciador
Ecoa mesmo em silêncio na dissimulada inspiração
Álibi de quem teme o cansaço desses rastros da alma
Pobre poeta, o resta somente o sonâmbulo silêncio
Da busca de uma palavra ainda a pegar no sono

Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

Camaleandro

Batizado pelos cientistas por Lecos cameleandris e popularmente chamado de Camaleandro, este espécime é extremamente raro e difícil de encontrar. Possui algumas características que o distingue das outras espécies, entre elas o inconfundível perfume, que se assemelha com um perfume de uma grife brasileira comumente usada pelos adolescentes. Este exemplar possui algumas características comportamentais interessantes, passa horas em frente ao seu reflexo nas pocinhas de água, e utiliza uma série de lamas em sua face para amenizar as imperfeições que não são visíveis aos olhos humanos. É extremamente difícil seu registro, uma vez que se necessita de horas a fio até que o Camaleandro apareça no local esperado. Este réptil faceiro se simpatiza facilmente pela arte popular e possui a incrível habilidade de dançar e batucar no ritmo de danças regionais. Outra particularidade desta espécie é que ele não captura suas presas pela língua, mas sim pelo seu olhar, profundamente negro, no qual a vitima se vê refletida e assim fica hipnotizada e aí então ele utiliza sua língua. Em um contato mais próximo e íntimo o que nos remete a um beijo.
Lucas Cutri

Sexta-feira, Julho 22, 2011

Admirável mundo novo





















Farrel. Desenho com caneta nanquim sobre papel sulfite para o Fanzine Perspectivas. Farrel é o pseudônimo de um adolescente interno na Fundação Casa. Ele está se aventurando na poesia, gosta de desenhar e tem o sonho de ser tatuador de palavras.

Sábado, Maio 28, 2011

Espaço inconsciente

O desenho ocupou só um pedacinho da folha e eu não sabia o que fazer com o espaço vazio. Não existia nenhuma possibilidade de preencher aquele branco que assustava como uma paisagem do medo. Eu poderia rasgar as bordas e deixar o papel estilhaçado nos cantos, recorrer ao traçado de linhas coloridas e dissimular meu nítido desespero ou inventar uma margem e esquecer o que fica fora das fronteiras. Olhei, olhei e entendi que o desenhinho era somente a entrada do espaço que existe dentro de mim e impossível de se conhecer.

Acho que estava com medo de você ir embora